Conheça histórias inspiradoras de mulheres do mundo do motociclismo

Em 2020, comemora-se o 111º ano em que é celebrado o Dia Internacional da Mulher, uma data que reforça a luta feminina por espaço em todos os setores da sociedade. A cada ano, percebe-se o crescimento e o fortalecimento das mulheres nas mais diversas atividades. E no mundo do motociclismo, essa é uma realidade cada mais forte e bem-vinda.

Para comemorar esse 8 de Março, a Confederação Brasileira de Motociclismo traz algumas histórias inspiradoras de mulheres que fazem parte do mundo do motociclismo.

Oito anos, oito de março, oito vezes campeã

O número oito é especial para Maiara Basso. Afinal, ela já ocupou oito vezes o lugar mais alto do pódio, consagrando-se campeã brasileira no Motocross (4 vezes), Velocross (3 vezes) e Enduro (1 vez).

“Comecei aos oito anos, por influência dos meus irmãos. Eles já corriam e me inspiraram a começar. A cada competição, cada disputa, a paixão foi aumentando e hoje, mais que uma profissão, a moto é minha paixão”, diz Maiara.

A piloto conta que o esporte demanda dedicação, seriedade, treinos. Mas vai além disso. “Tem que ter paixão, amor mesmo. Não consigo ver minha vida sem o esporte, porque ele me trouxe amizades, me permitiu conhecer lugares e culturas diferentes, me ensinou a ter disciplina e a lutar pelo que eu quero”, complementa.

Mas será que Maiara acha que motociclismo é coisa de mulher? “A mulher é capaz de fazer tudo que os homens já fazem. Só precisam querer e acreditar em si mesmas”, declara a piloto.

Pioneira na representação do esporte

Próximas de completar 15 anos, muitas meninas sonham com uma festa deslumbrante ou ainda uma viagem inesquecível. Para Lorena Herte, Diretora de Mototurismo da CBM, a história foi um pouco diferente, com pitadas de aventura.

“Eu tinha 14 anos quando a moto entrou na minha vida. Ganhei uma Garelli 50 cilindradas, num tempo em que ainda era possível circular sem habilitação. Desde então, minha vida está envolvida com a velocidade e a motocicleta”.

Lorena foi a primeira mulher a presidir uma entidade representativa do esporte no Brasil, ao assumir, em 2005, a Federação Gaúcha de Motociclismo. “Meu início profissional foi em eventos de mototurismo, que tem caráter mais de entretenimento e não de competição. Mas eu acompanhei e ainda acompanho as provas de motovelocidade, motocross, enduro, velocross, eu gosto muito”.

E como diz o ditado, o fruto não cai longe do pé. Ou, no caso, não fica longe das pistas. Em 1997, quando o filho começou a competir em provas de motovelocidade, a disponibilidade de Lorena era distinta.

“Quando ele começou a competir, eu estava envolvida com as entidades de motociclismo. Não tinha tempo para ser mãe de piloto. Hoje eu sinto muito orgulho em acompanhar a evolução e as vitórias dele”, reforça Lorena.

Um meio sem preconceitos

Enquanto muitas pessoas do mundo do motociclismo compartilham do mesmo começo, seja acompanhando alguém da família ou por afinidade com o esporte, a jornalista, assessora de comunicação e produtora de conteúdo Carolina Yada fez outras rotas para se apaixonar pelo motociclismo.

“Já são 17 anos que eu estou no mundo do motociclismo. No começo, eu trabalhava em uma emissora de televisão e cobria competições de carro, mas sempre tentava incluir conteúdos sobre o motociclismo. Com o tempo, fui aperfeiçoando, entendendo e me encantando com as pessoas, as histórias e tudo de bom que o esporte proporciona”, diz Carol.

Mesmo em um ambiente prioritariamente masculino, ela diz que nunca sentiu preconceito. “Quando estamos trabalhando, somos parte de uma equipe. Não importa se você é mulher ou homem. A galera é muito respeitosa, te permite expor ideias e valorizam o seu trabalho. O motociclismo é um meio muito profissional e acolhedor, quase como uma família”, destaca.

Inspiração para outras mulheres

Aos 24 anos, a comerciante e atleta de motocross Janaína Vieira encontrou no motociclismo uma maneira de equilibrar o feminino e o masculino da sua personalidade. “Eu tenho uma loja de roupas femininas. Então, quando eu vou competir, eu deixo de lado essa porção mais delicada, mais suave, e me visto de coragem, de concentração, de força. Essa mistura de aspectos femininos e masculinos forma quem eu sou”, afirma a atleta, que reside em Valinhos – SP.

No início da trajetória como piloto, Janaína não encontrava resistência, mas também não via presença feminina nas provas. “Eu ouvia dizer que tinha algumas meninas competindo, mas não as conhecia, não acompanhava a carreira. Hoje em dia tem muitas meninas correndo, acompanhando, participando. Isso é muito estimulante”.

Pelas redes sociais, ela conta que é bastante abordada por mulheres curiosas sobre o esporte e os desafios envolvidos em modalidades que lidam com força, resistência e velocidade. “É um prazer poder conversar com todas essas mulheres, tirar dúvidas e incentivar para que venham praticar um esporte radical, que não é exclusivamente masculino, é de quem tem coragem”, finaliza Janaina.

Atualmente, a CBM conta com 68 mulheres filiadas à entidade.

Desejamos a todas as mulheres muito mais conquistas e que estejam cada vez mais presente no motociclismo.