Em Yanbu, quando tudo parecia decidido, Luciano Benavides protagonizou um desfecho irrepetível e venceu o Rally Dakar 2026 por apenas dois segundos após um erro de navegação de Ricky Brabec, assinando uma vitória histórica para Argentina e KTM.
RALLY DAKAR 2026. ETAPA 13
O final teve tons de tragédia esportiva para Ricky Brabec, líder sólido da geral. Faltando apenas sete quilômetros para a linha de chegada, um erro de navegação no quilômetro 98 o desviou do traçado correto e o forçou a percorrer cerca de três quilômetros adicionais. Não foi uma queda ou uma falha mecânica, mas uma pequena confusão que, no Dakar, é caro. Enquanto o americano procurava o caminho de volta, Benavides mantinha o gás aberto até a mesma linha de chegada.
O argentino cruzou a linha de chegada sem saber que tinha acabado de ganhar o Dakar. A confirmação veio segundos depois, quando Brabec apareceu e o tempo ditou a sentença: dois segundos de diferença na geral, a margem mais estreita já vista na prova. Um desfecho que parece ficção até para uma carreira acostumada a quebrar qualquer lógica.
Para Benavides, a vitória foi o culminar de um longo processo de perseverança. Na edição anterior, ele alcançou seu melhor resultado com uma quarta posição; doze meses depois, ele subiu direto para o degrau mais alto do pódio. Com isso, a Argentina somou sua terceira vitória em motocicletas após as duas alcançadas por seu irmão Kevin em 2021 e 2023, e a Red Bull KTM Factory Racing comemorou sua 21º vitória no Dakar.
![]()
O próprio Luciano resumiu melhor do que ninguém o que significou aquele momento limite: “Ainda não consigo acreditar. Nunca parei de sonhar. Hoje acordei cheio de energia e motivação, pensando apenas no que eu poderia fazer e confiando em mim mesmo, e essa foi a chave para este Dakar. Fiz isso por mim e a sensação é irreal”. O argentino também confessou o extremo do desfecho: “Ganhar por apenas dois segundos é incrível. Eu até errei as duas últimas curvas e quase caí, então foi tudo no limite, mas valeu a pena”.
O Dakar 2026 começou com Daniel Sanders como grande favorito, com Tosha Schareina como principal alternativa. A penalidade para o espanhol na etapa 5 e a subsequente fratura do ombro do australiano na estrada de Bisha mudaram completamente o roteiro. Sanders, mesmo assim, resistiu até o fim e terminou em quinto, enquanto a luta pela geral estava nas mãos de Brabec e Benavides.
![]()
Apoiado pela Monster Energy Honda HRC, Brabec assumiu o comando com autoridade e jogou suas cartas com inteligência, inclusive cedendo estrategicamente a liderança na penúltima etapa para forçar Benavides a abrir a pista. A manobra permitiu-lhe enfrentar o último dia com quase quatro minutos de vantagem, um colchão que parecia definitivo… até que o Dakar voltou a mostrar que não perdoa nem um segundo.
Benavides, que estava disputando seu nono Dakar, não parou de acreditar mesmo quando o tempo parecia escapar: “Esta é a minha nona participação e mostra que se você nunca para de sonhar, se você nunca para de acreditar e continua lutando por seus objetivos, tudo é possível. Mesmo hoje, quando eu estava perdendo tempo e vi Ricky empurrando com força, ele repetia para mim mesmo que não tinha acabado até o último quilômetro.” Essa convicção foi fundamental quando chegou o erro decisivo de seu rival: “No final, ele cometeu um pequeno erro e eu fiz certo. É algo irreal”.
![]()
O encerramento foi tão emocionante quanto simbólico. Exausto, incrédulo e com a voz ainda tremendo, Luciano soltou um grito que resumiu a dimensão da conquista: “Vamos Argentina! Agora é hora de comemorar com minha família, meus amigos, meus patrocinadores e com todos aqueles que me apoiaram ao longo desses anos para realizar esse sonho”.
Yanbu foi o cenário do desfecho, mas a mensagem ficou clara para sempre: no Dakar não basta liderar, é preciso resistir até o último metro. E Luciano Benavides, acreditando quando parecia impossível, transformou dois segundos em eternidade.






