Honda CRF 450R 2022, Teste Exclusivo, Revista Dirt Action

Honda CRF 450R 2022, Teste Exclusivo, Revista Dirt Action

Um dos modelos mais lendários da Honda no motocross com certeza é a CRF 450R, que nos últimos anos tem dominado o Mundial de Motocross com Tim Gajser, que conquistou três títulos na categoria rainha, em 2016, quando estreou na categoria, 2019 e 2020. Ao ser três vezes campeão do mundo com a Honda, ele se igualou a outras lendas do esporte: os belgas André Malherbe (1980/81/84) e Georges Jobé (1987/91/92) e ao britânico David Thorpe (1985/86/89), que pilotaram a poderosa CR 500 (dois tempos).

A última grande mudança no modelo havia sido em 2017 e, portanto, foram necessários quatro anos para a CRF 450R receber uma grande alteração. Antes da versão totalmente reformulada ser lançada, ela foi apresentada em 2020 como protótipo no Mundial –somente no ano seguinte o modelo de série foi lançado.

O modelo apresentava alterações marcantes, como chassi mais estreito, visual arrojado, sistema de escapamento com única ponteira, embreagem hidráulica, acesso à caixa do filtro de ar pelo number plate esquerdo e outras novidades. A CRF 450R 2021 tinha as mesmas características da motocicleta utilizada por Gajser em 2020.

Depois de surpreender o mercado no ano passado, a Honda voltou a pegar todos de calça curta quando apresentou antecipadamente o modelo 2022 que, como esperado, não trouxe grandes alterações. Para 2022, a máquina lendária teve a ECU atualizada visando melhor dirigibilidade, particularmente nas rotações mais baixas, e as válvulas da suspensão foram revisadas, para melhor retenção e equilíbrio aprimorado.

2021, O ANO DA MUDANÇA – Vale a pena relembrar os atributos que a versão 2022 manteve do modelo anterior. No lançamento do modelo 2021, a fábrica informou que as atualizações derivaram diretamente do know-how da HRC, adquirido no desenvolvimento da máquina de Gajser. Visualmente, a nova 450R apresenta o mesmo design da moto de Gajser. A traseira apresenta number plates menores e integrados ao para-lama. O sistema de escapamento, com câmara de expansão (parece um escape de 2T) apresenta único silencioso. A aleta do radiador agora é peça única e passa a impressão de ser maior do que a versão anterior. Os number plates são na cor vermelha. Peças plásticas mais compactas e leves, além de um banco menor e com novo desenho, aumentam a liberdade de movimento do piloto.

Quadro, sub-quadro e braço oscilante foram redesenhados, promovendo alterações na geometria e reduzindo peso, visando melhorar significativamente o comportamento nas curvas. Por exemplo, a distância entre-eixos reduziu 1 mm, o ângulo da caixa de direção reduziu 0,3º, o trail reduziu 2 mm, o ângulo do braço oscilante aumentou 0,9º e a distância livre do solo aumentou 8 mm. O conjunto emagreceu cerca de 2 quilos.

O motor recebeu muitas melhorias. A caixa de ar aumentou de dramaticamente de volume, o filtro de ar é novo e o único injetor (que trabalha duas vezes por ciclo) mudou o ângulo (de 30º para 60º), para que o combustível chegue mais frio no cilindro. Já a exaustão mudou o formato, de redondo para oval. Há um novo sistema de descompressão, que junto ao único silenciador, resulta em resposta mais suave e maior dirigibilidade na baixa e média. E apresenta embreagem hidráulica, com melhor performance e exigindo menos força no acionamento.

Foram mantidas as três opções de mapeamento eletrônico, controle de tração (HSTC) e controle de largada, com comandos em novo punho no guidão.

O novo chassi apresenta tubos mais estreitos. A estrutura principal tem 700 gramas a menos do que o quadro anterior. Isso permitiu que a motocicleta ficasse mais estreita em 70 mm (50 mm no lado esquerdo e 20 mm no lado do escapamento). Na dinâmica do chassi, a rigidez lateral foi reduzida em 20%, visando aumentar a velocidade nas curvas, a tração e a precisão da direção.

O braço oscilante de alumínio possui equilíbrio de rigidez adaptado à estrutura, com tubos mais estreitos. O sistema Pro-Link também foi revisado e o amortecedor é novo. O garfo Showa de 49 mm de diâmetro (e 310 mm de curso), com sistema convencional (com óleo e mola helicoidal) é uma variação do garfo “de fábrica”, sendo que o curso aumentou em 5 mm e a válvula de pistão principal do amortecedor foi ampliada, para uma resposta mais rápida e melhor absorção de choque. A mola de aço (mais leve do mundo) economizou mais de 200 gramas.

Os radiadores foram projetados com a tecnologia Fluidodinâmica Computacional (CFD), para fluxo máximo de ar. Também foi aprimorado o tanque de combustível de titânio, com capacidade para 6,3 litros – a capa plástica superior foi eliminada. A bomba de combustível é nova e compacta.

O guidão Fatbar Flex da Renthal é padrão para o máximo conforto, e seus dois suportes podem ser fixados 26 mm para a frente na mesa superior. Mas ao girar o suporte 180°, o guidão será deslocado em 10 mm da posição básica, resultando em quatro posições para o ajuste perfeito ao estilo de pilotagem de cada piloto. Faltou dizer que as mesas são novas.

O sistema de freios é composto por disco dianteiro de 260 mm de diâmetro, com pinça de pistão duplo (30 mm e 27 mm de diâmetro). A pinça de freio traseira de pistão único trabalha em conjunto com um disco de 240 mm de diâmetro.

ACELERANDO A NOVIDADE – Infelizmente, poucas unidades o modelo 2021 chegaram no mercado nacional – e só no final do ano passado –, o que deixou muitos pilotos “a pé”. E o modelo 2022 com certeza só chegará em nosso território no final do ano, se tudo der certo. Sendo assim, nossa apresentação da novidade aconteceria somente no próximo ano. Mas a sorte bateu a nossa porta e o nosso amigo e piloto de freestyle Fred Kyrillos acabou tendo contato com a CRF 450R no mês passado, quando esteve nos Estados Unidos e, depois de algumas mensagens, combinamos produzir este teste para os leitores da Dirt Action.

Num belo dia, Kyrillos entrou na pista para acelerar sua nova CRF 450R e, depois de horas eletrizantes com a máquina lendária, ele nos passou suas impressões sobre a motocicleta. Confira a seguir o depoimento do piloto que teve a oportunidade de andar na CRF 2022.

“Em comparação com o modelo anterior, é uma motocicleta com alguns ajustes finos. A Honda tem um ciclo de mudanças para cada modelo e 2021 foi o primeiro ano do novo ciclo, uma motocicleta completamente nova, e o modelo 2022 foi um aperfeiçoamento do anterior. Visualmente é a mesma motocicleta, mas seus segredos estão internamente.

Acredito que a Honda é conhecida no mundo por ser uma motocicleta com ótima dirigibilidade, de muita confiança, você sabe que é uma motocicleta boa – e isso não é por acaso. O modelo é extremamente bom, de muita dirigibilidade, é leve, uma motocicleta fácil de fazer curvas, de colocar na canaleta. Ela é fácil de pilotar mesmo para um piloto sem muita técnica. Ela é extremamente rápida, forte e potente, além de maleável, também para um piloto rápido. Esse novo projeto atende todos os níveis de pilotagem.

Quanto ao posicionamento, senti que ela está mais agressiva, com a frente um pouco mais baixa. Sei que muitas partes eletrônicas foram colocadas na parte de baixo da motocicleta, levando o centro de gravidade bem pra baixo, e você sente isso na pilotagem. Você já sobe nela em uma posição de ataque, mas mantendo o conforto. Não precisei procurar isso, pois senti esse posicionamento assim que sentei pela primeira vez na motocicleta.

Quanto aos freios, são excepcionais. Para quem não está muito acostumado com o sistema da Honda, aconselho a ter mais atenção, pois são bem eficientes. Você vai se sentir muito confiante ao retardar a frenagem e entrar mais rápido nas curvas.

Eu andei com ela no motocross, 100% original. Sou um piloto com 90 kg, e a suspensão estava um pouco macia para mim,. Realizei ajustes nos cliques, sem exigir grandes acertos, e consegui um bom funcionamento. Ela ficou muito boa, muito equilibrada, ficou boa mesmo para os grandes saltos. Treinei em Pala (Califórnia, EUA), onde aconteceu recentemente a abertura do campeonato americano de motocross. Ela tem saltos grandes e consegui ultrapassá-los sem qualquer problema depois dos ajustes. Tanto no lançamento como na aterrissagem, chegando a zerar alguns para sentir o comportamento do sistema de suspensão, as suspensões funcionam muito bem, sem nenhum susto.

Esse mesmo acerto funcionou muito bem para as frenagens e buracos da pista. A pista de Pala apresenta um piso macio na parte de cima e duro embaixo, então a pista fica muito destruída nos treinos, em qualquer dia da semana. É uma pista que exige uma motocicleta bem acertada na suspensão, e o que realizei na própria pista funcionou bem, não exigiu uma preparação especial para encontrar o seu melhor funcionamento. Então, posso dizer que o conjunto de suspensão é excelente e que, dependendo do nível de pilotagem e peso do piloto, nenhuma preparação será necessária.

Como sou um piloto profissional de freestyle, tenho um cuidado especial com a suspensão, estudo bastante o comportamento e o funcionamento do sistema e consegui ter uma grande sensibilidade nesse item. Sempre preparo a suspensão, mesmo antes de dar as primeiras voltas com a motocicleta, mas dessa vez foi diferente e o sistema da nova Honda me surpreendeu demais, tanto que continuo andando com ela original no motocross.

Quanto ao motor, no primeiro momento senti que a nova CRF 450R ficou mais forte, as respostas estão rápidas. Dos três mapas que testei, dou preferência para o terceiro, pois o motor fica mais agressivo, arisco. Contudo, senti melhor o motor depois de algumas voltas e me pareceu que ele está mais linear do que forte, acredito que ele entrega mais potência em todas as faixas de rotação. E isso dá uma sensação de que está mais forte. Essa força não é deivdo ao ganho de cavalos, mas ele está muito bem acertado, o motor está muito ‘redondo’.

As mudanças realizadas na parte eletrônica deixou a motocicleta muito redonda, lembrando que testei a moto totalmente original, inclusive relação e sistema de escapamento. O motor entrega potência em todas as faixas de rotação sem ser agressivo demais, é esperto e sem nenhum ‘buraco’. Não vai faltar potência em nenhum momento na pista.

Ao comparar com o modelo anterior, acredito que o novo modelo veio mais ‘afinado’. É uma motocicleta que você pode comprar em uma concessionária e ir direto para a pista. Ela é ‘redonda’, extremamente competitiva e com certeza está pronta para brigar por títulos pelo mundo. É muito confortável e confiável, entregando potência com segurança na pilotagem, com muita dirigibilidade, muito controle. Tem muita força no motor, mas sua entrega é muito controlável, com muita segurança, e tem freios e suspensão com bom funcionamento, possibilitando você estar no controle total da motocicleta. Resumindo, é uma motocicleta muito bem balanceada, estreita e esperta”, finaliza Kyrillos.

ESPECIFICAÇÕES

Motor: monocilíndrico, 4V, Unicam, refrigeração líquida

Cilindrada: 449,7 cc

Alimentação: injeção eletrônica

Transmissão: 5 velocidades

Chassi: tipo berço duplo, de alumínio

Suspensão dianteira: Showa, 49 mm de diâmetro

Suspensão traseira: amortecedor Showa

Ferio dianteiro: disco, 260 mm de diâmetro

Freio traseiro: disco, 240 mm de diâmetro

Tanque: 6,3 L

Peso (total): 110,6 kg

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