Portugal volta a entrar na luta pela vitória no Honda Garage Dreams. A Mototrofa regressa ao concurso de customização da Honda com uma espetacular CB750 Hornet Mugen e não esconde a ambição: depois do sucesso alcançado com a Fénix, a equipa portuguesa quer tornar-se bicampeã. Mas, para isso, precisa também do apoio dos motociclistas portugueses.

Há motos que começam numa folha em branco e outras que nascem de uma base tão marcante que o maior desafio está em saber até onde é possível transformá-la sem destruir aquilo que a torna especial. Foi precisamente esse o ponto de partida da Mototrofa para criar a Honda Hornet Mugen, a representante portuguesa na VI edição do Honda Garage Dreams.
O concurso volta a colocar frente a frente concessionários Honda da Península Ibérica, desafiando as respetivas equipas a demonstrarem até onde conseguem levar a criatividade, conhecimento técnico e capacidade de transformação de uma moto de produção. E Portugal entra nesta edição com ambições particularmente elevadas.
A Mototrofa já conhece o sabor do sucesso no Garage Dreams e regressa agora ao concurso determinada a lutar novamente pela vitória.
“Não escondemos a ambição de querer vencer. Repetir a vitória é o sonho de todos nós na MOTOTROFA.”
É a própria equipa portuguesa que o assume. Mas, desta vez, a arma escolhida chama-se Hornet Mugen.
O desafio de transformar uma Hornet
A base do projeto é uma das naked mais importantes da atual gama Honda, a CB750 Hornet. Precisamente por isso, transformá-la não foi uma tarefa simples.
Segundo a Mototrofa, o desenho original da Hornet acabou por tornar-se simultaneamente inspiração e desafio.
“As suas linhas fortes, que se quebram de forma abrupta, as mudanças de direção bem marcadas e uma paleta de cores muito interessante tornam esta moto um verdadeiro desafio de personalização.”
Para a equipa portuguesa, a qualidade da própria base abriu inúmeras possibilidades criativas, mas também aumentou a responsabilidade de encontrar um conceito suficientemente distinto sem descaracterizar a Hornet.

E essa ideia tornou-se uma das regras fundamentais de todo o projeto.
Não destruir a identidade da CB750 Hornet. Evoluí-la.
Hornet Mugen: a forma segue a função
Há um princípio que ajuda a compreender toda a filosofia da moto portuguesa: a forma deve seguir a função e não o contrário.
A Mototrofa não procurou simplesmente criar uma moto visualmente espetacular para conquistar votos. Cada alteração deveria ter uma justificação.
“Cada componente foi pensado ao detalhe para criar algo único — uma daily commuter equilibrada, capaz de se transformar numa verdadeira arma de pista quando necessário.”
É provavelmente esta dualidade que melhor define a Hornet Mugen. Uma moto utilizável no quotidiano, mas com uma personalidade e preparação capazes de revelar um lado muito mais agressivo quando chega a altura de atacar uma estrada de curvas ou entrar num circuito.
A própria Mototrofa encontrou uma forma particularmente divertida de a definir: “Um cordeiro em pele de lobo… ou, neste caso, uma vespa com alma de falcão.”
O legado da Fénix
Mas esta história não começa verdadeiramente na Hornet Mugen. Para perceber a pressão que existe sobre este projeto é necessário recuar à Fénix, a anterior criação da Mototrofa que deixou uma marca importante na participação portuguesa no concurso.
O sucesso desse projeto tornou-se inevitavelmente uma referência para a nova moto.

“A Fénix representou superação, mas assumir esse legado implica também uma grande responsabilidade.”
Em vez de fugir dessa comparação, a equipa decidiu utilizá-la como motivação. O objetivo passou por tentar colocar a nova criação no mesmo patamar através de maior desenvolvimento, novas soluções e uma abordagem ainda mais ambiciosa.
Porque há outra realidade que a Mototrofa reconhece: o nível do Honda Garage Dreams não parou de subir. E os adversários estão cada vez mais fortes.
Cerca de 20 pessoas e uma moto
Embora exista inevitavelmente uma pequena equipa diretamente responsável pela construção, a Hornet Mugen acabou por tornar-se um projeto de toda a Mototrofa.
Cerca de 20 pessoas estiveram envolvidas de alguma forma. Comercial de motos novas e usadas, oficina e marketing contribuíram para transformar uma ideia numa moto real. E nem sempre foram necessárias grandes decisões.
“Uma ideia, um parafuso bem apertado ou um simples contacto foram, muitas vezes, decisivos para que tudo se concretizasse.”
É precisamente esta dimensão coletiva que a equipa faz questão de destacar.
“O esforço e a visão são coletivos; somos uma equipa e acreditamos que é nos pequenos detalhes que reside a diferença.”

A opção mais radical: Full Edition
A VI edição do Honda Garage Dreams introduziu uma alteração importante ao formato da competição, dividindo os projetos em duas categorias. A Mototrofa decidiu não escolher o caminho mais limitado.
A Hornet Mugen está inscrita na categoria Full Edition. A razão é simples: liberdade.
“Decidimos participar na categoria Full Edition, por ser aquela que melhor representa dois pilares fundamentais para nós: criatividade e desenvolvimento.”
A possibilidade de trabalhar com menos restrições permitiu à equipa portuguesa explorar novas soluções e levar mais longe o conceito inicialmente imaginado para a Hornet.
A Mototrofa considera, aliás, que a existência de duas categorias poderá tornar esta edição particularmente interessante. Por um lado, a Full Edition permite projetos mais ambiciosos e transformações profundas.

Por outro, as limitações impostas na categoria Genuine obrigam os participantes a encontrar soluções criativas dentro de parâmetros mais apertados. O resultado deverá ser uma das edições mais diversificadas do Garage Dreams.
Garage Dreams cada vez mais competitivo
Quem participou nas primeiras edições sabe bem como o concurso evoluiu. Aquilo que começou por demonstrar o talento existente dentro da rede de concessionários Honda transformou-se numa verdadeira montra de criatividade e capacidade técnica.
“Desde o início demonstrou o enorme potencial e a qualidade das concessionárias ibéricas, mas edição após edição o nível tem subido de forma notável.”
Foi também isso que ajudou a convencer a Mototrofa a regressar, competir novamente com os melhores da Península Ibérica. E tentar vencer!
O sonho do bicampeonato
A equipa portuguesa não procura esconder as expectativas. São altas!
Depois do que conseguiu no passado, regressar apenas para participar nunca seria suficiente. A Mototrofa quer o bicampeonato.
“A possibilidade de nos tornarmos bicampeões é, naturalmente, um enorme motivo de ambição e orgulho.”
Mas existe igualmente respeito pelos adversários. A equipa portuguesa destaca a qualidade das restantes preparações e reconhece que partilhar o concurso com algumas das melhores equipas Honda da Península Ibérica é também parte da experiência.
“Todos entramos em competição com o objetivo de vencer, mas poder partilhar este palco e apreciar a visão e o trabalho de cada equipa é, por si só, um privilégio.”
Ainda assim, há um detalhe importante. Para ganhar, a Hornet Mugen precisa de votos.
E é aqui que entra a comunidade motociclista portuguesa.





