Aqui ficam as primeiras imagens do novo circuito de Adelaide onde se vai disputar o GP da Austrália de MotoGP. Mais de 4 km e 15 curvas, 59 milhões de euros de investimento e muita contestação ambiental.
Phillip Island é um circuito icónico para o motociclismo e, mais precisamente, para o MotoGP. Algumas das melhores corridas do campeonato aconteceram em Phillip Island. E alguns dos momentos mais caricatos também! Que o digam as gaivotas ou outros animais naturais da ilha. Porém, o futuro do Grande Prémio da Austrália não passará por ali, mas sim pelo novo circuito de Adelaide.
E as primeiras imagens do novo circuito urbano que será a nova casa do Grande Prémio da Austrália de MotoGP, com o evento previsto para novembro de 2027, acabam de ser divulgadas pela MotoGP Sports Entertainment Group.
As principais características do circuito urbano que ficará inserido na zona urbana da cidade de Adelaide foram reveladas pelo Primeiro Ministro da Austrália do Sul, Peter Malinauskas. Um momento realmente importante para o circuito em si, pois ficamos a conhecer como será o seu layout, bem como outros detalhes relevantes.
A construção do circuito de Adelaide que será visitado pelo MotoGP a partir de 2027, obriga a um investimento de 96 milhões de dólares australianos, o que, à taxa de câmbio atual, significa que os responsáveis pela infraestrutura têm de investir cerca de 59 milhões de euros.
MotoGP em Adelaide: competir num circuito urbano
Partindo daquele que já foi o circuito citadino usado pela Fórmula 1 em Adelaide, o novo layout do traçado localizado em ambiente urbano torna-o num circuito único no mundo. Ao estar localizado tão perto do centro urbano, o MotoGP Sports Entertainment Group, a Federação Internacional de Motociclismo (FIM) e as entidades governamentais australianas esperam que seja possível atrair uma enorme quantidade de fãs para o evento em si.
E o evento não será apenas o Grande Prémio da Austrália de 2027.
Na verdade, as entidades organizadoras esperam conseguir criar um ambiente quase de festival, com iniciativas a acontecerem em diversos pontos da cidade, sempre com o foco nas atividades em pista, mas com capacidade de fazer os fãs de se movimentarem para diversos pontos da cidade e assim desfrutarem de muito mais do que apenas corridas ao longo do fim de semana.
Peter Malinauskas referiu na sua apresentação do circuito de Adelaide de MotoGP, que a intenção é aproveitar este entusiasmo gerado pelo novo circuito para revitalizar diversas zonas da cidade. Parques públicos ou zonas de árvores foram dados como exemplo dessa vontade de revitalização e renovação.

O circuito de Adelaide em números: mais de 4 km, 15 curvas e 343 km/h
Embora ainda não existam imagens reais do circuito, nem uma moto tenha sequer cumprido uma volta, Peter Malinauskas apresentou um conjunto de imagens geradas por computador e revelou alguns dados importantes, bem como uma simulação relevante.
Em termos de extensão, o novo circuito de Adelaide vai ter uma extensão total de 4130 metros. Os pilotos vão enfrentar um total de 15 curvas, uma curva a mais em comparação com o circuito originalmente usado pela F1, recuperando algumas das curvas mais icónicas do antigo traçado de Fórmula 1: Stag Corner, Rundle Road, Brewery Bend e Dequetteville Terrace.
As simulações por computador recorrendo a avançados algoritmos permitem saber já alguns detalhes que poderemos depois comparar com a realidade, quando os protótipos de MotoGP iniciarem o Grande Prémio da Austrália de 2027: cada volta ao circuito de Adelaide deverá ser em 1m26s. Este é o tempo estimado por volta.
E, na maior reta do traçado australiano, os protótipos de MotoGP deverão ser capazes de atingir uma velocidade máxima de até 343 km/h!

Contestação ambiental: mais de 43 mil pessoas contra a construção do circuito
Desde o primeiro momento em que foi anunciado que o Grande Prémio da Austrália de MotoGP passaria de Phillip Island para um novo circuito em Adelaide, e, depois, quando foram reveladas as intenções de se aproveitar o antigo circuito de F1 expandindo as suas infraestruturas e traçado, que se levantaram de imediato milhares de vozes contra esta decisão.
O motivo? O meio ambiente!
De acordo com os meios de comunicação mais dedicados à Austrália do Sul, para além dos diversos protestos, alguns deles levaram à criação de grupos como o denominado ‘Gum Leaf Guild’, que ficou acampado em protesto até à última quinta-feira, tendo saído do local apenas depois do Governo de Adelaide os ter pressionado. Existe uma petição contra a construção do circuito.
Essa petição chegou rapidamente a contar com mais de 43.000 assinaturas.
Os protestantes organizaram vários protestos, o último dos quais a 23 de agosto sob o lema ‘Stop The Chop’ (Parem O Corte). Uma referência clara ao abate de muitas árvores que se inserem no parque urbano de Adelaide, que têm de ser cortadas para permitir a realização dos trabalhos de construção do circuito.
As informações já confirmadas pelo próprio Primeiro Ministro da Austrália do Sul apontam para que um total de 400 árvores do parque tenham de ser abatidas. Se não forem, será impossível desenhar o circuito e cumprir com os requisitos de segurança exigidos pela FIM para uma competição como o MotoGP.
Destas 400 árvores, o governo considera que 42 são verdadeiramente relevantes, enquanto 355 árvores são consideradas como estando mortas, de pouca saúde ou sendo mesmo espécies invasoras. Existe ainda a possibilidade de que outras 88 árvores também possam vir a ser abatidas e outras 22 estão ‘sob investigação’, refere Malinauskas.
Sendo que as questões ambientais têm de respeitar uma série de condicionantes, Peter Malinauskas garante que por cada árvore que for abatida para a construção do circuito, outras 10 árvores autóctones serão plantadas.
Isto significa que o governo promete plantar um total de cerca de 3.770 árvores.
Por outro lado, Peter Malinauskas garante que existirá um orçamento independente do orçamento do circuito. Neste caso serão reservados 15 milhões de dólares australianos (pouco mais de 9 milhões de euros). Esse dinheiro será usado para renovar e implementar novas estruturas de água, para cuidar do parque e revitalizar zonas degradadas, bem como para revitalizar e proteger o habitat de borboletas ou criar um projeto de reintrodução do ornitorrinco no parque.





