A transformação da indústria das duas rodas continua a ganhar velocidade e a Bajaj Auto quer assumir um papel de protagonista. O fabricante indiano apresentou resultados financeiros bastante acima das expectativas e confirmou que pretende lançar a sua primeira geração de motos elétricas até ao ano fiscal de 2028, reforçando a estratégia de eletrificação que já começou com a scooter Chetak.
Os números ajudam a explicar esta ambição. No primeiro trimestre do novo exercício fiscal, a empresa registou um aumento de 42,3% no lucro, para cerca de 29,8 mil milhões de rupias (cerca de 271 milhões de Euros), enquanto a faturação cresceu mais de 36%, impulsionada pela forte procura nos mercados doméstico e internacional.
Exportações voltam a ser o motor do crescimento
Um dos destaques dos resultados foi o excelente desempenho das exportações.
A Bajaj aumentou em 52% os volumes vendidos para o exterior, beneficiando da recuperação de mercados africanos e da forte procura na América Latina, regiões onde a marca continua a consolidar a sua posição como um dos maiores fabricantes mundiais de motociclos de média e baixa cilindrada.

Também o mercado interno indiano continua a crescer, embora a um ritmo inferior ao do conjunto do setor, confirmando que a procura por veículos de duas rodas permanece elevada num dos maiores mercados mundiais.
A próxima etapa: motos elétricas
Embora a Chetak seja atualmente o principal produto elétrico da empresa, a Bajaj confirmou que a estratégia passa agora por entrar também no segmento das motos elétricas.
A empresa prevê lançar os primeiros modelos até 2028 e, entretanto, vai aumentar a capacidade de produção da scooter elétrica de 50.000 para 60.000 unidades por mês, procurando responder a uma procura que já ultrapassa a oferta disponível.
Esta decisão surge num momento em que o mercado indiano de veículos elétricos de duas rodas está a tornar-se cada vez mais competitivo, com fabricantes históricos e novas empresas tecnológicas a disputarem quota de mercado.
Um sinal importante para a indústria
Mais do que um simples anúncio de produto, a decisão da Bajaj confirma uma tendência que se observa em praticamente todos os grandes fabricantes mundiais.

Mesmo marcas fortemente associadas aos motores de combustão começam a preparar uma transição gradual para a eletrificação, procurando manter uma oferta diversificada durante a próxima década.
Para a Bajaj, o desafio será conseguir transportar para o segmento elétrico a reputação construída ao longo de décadas com modelos como a Pulsar ou a Dominar.
E a Europa?
Embora o foco inicial continue centrado no mercado asiático, o crescimento das exportações demonstra que a estratégia da empresa é claramente global.
Tendo em conta as ligações industriais da Bajaj a marcas europeias e a crescente presença internacional do grupo, não será surpreendente que alguns destes futuros modelos elétricos acabem por chegar também ao mercado europeu.
A confirmar-se, poderão tornar-se uma alternativa interessante no segmento das motos elétricas de preço acessível, precisamente aquele onde a oferta continua ainda relativamente limitada.





